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  • Marcelo Dada

Review: 'Cinco Dias no Hospital Memorial', um quebra-cabeça ético e moral, da civilização à barbárie

Série do Apple TV+ possui estrutura audiovisual comparável a de grandes produções para o cinema, performances notáveis e a transposição impactante de um clima de tensão e angústia da ilha que se tornou o Hospital Memorial em agosto de 2005.


Sinopse


A chegada do Furacão Katrina era um momento fatídico e esperado pelos cidadãos americanos na cidade de Nova Orleans, estado de Luisiana, nos Estados Unidos. O Hospital Memorial, em pleno funcionamento, é também um local que as pessoas procuram para se abrigarem durante o evento climático.


Com ventos que alcançaram 280 km/h, a intensidade do Katrina era sentida em uma grande área por onde passava, deixando um imenso rastro de destruição.


Após a passagem da tempestade, com o céu bem mais limpo, um sentimento de alívio e tranquilidade podia ser sentido por médicos, enfermeiros, pacientes e por tantas outras pessoas abrigadas pelo Memorial. Entretanto, logo verificou-se um dos maiores desastres causados pelo furacão: represas locais não puderam conter o volume de água excessivo e agressivo e acabaram rompendo. A afluência das águas nos perímetros urbanos começou a causar uma inundação grave.



Com o hospital ilhado, com a inundação iminente e suas consequências, sem previsões para o recebimento efetivo de ajuda e, com medicamentos e mantimentos básicos cada vez mais escassos, o ambiente ficou caótico.


Sobre a Série


Cinco Dias no Hospital Memorial (Five Days at Memorial) foi lançada no dia 12 de agosto de 2022 no Apple TV+ seguindo um padrão já conhecido e normalmente utilizado pela plataforma, que consiste em trazer os três primeiros episódios de uma série e os subsequentes episódios semanais. Com um total de oito episódios e uma narrativa bem encerrada, a consistência é a de uma minissérie.



Criada por Carlton Cuse e John Ridley, a minissérie é baseada no livro homônimo (Five Days at Memorial) escrito por Sheri Fink, em 2013, que relata os eventos reais que aconteceram no hospital em que se passa a minissérie e também faz uma tratativa acerca dos desdobramentos midiáticos, jurídicos e das discussões sobre o caso.


A produção possui um roteiro que, desde o primeiro episódio, introduz pequenos recortes de uma situação posterior aos acontecimentos nos cinco dias em que o hospital esteve ilhado e opta por se concentrar muito mais nessa história em um primeiro momento. Após o quinto episódio, o foco é exatamente nos acontecimentos posteriores aos angustiantes cinco dias, com uma inversão nos acessos aos recortes temporais introduzidos. A este ponto, caso a direção não utilizasse este recurso de evidenciar que trataria de duas situações interligadas e distintas, a sensação é a de que teríamos uma série finalizada em seu quinto episódio e uma nova série, uma outra temporada, ou mesmo uma série complementar a partir do episódio seguinte.



Com a observação dessa característica do roteiro, podemos comentar sobre a relevância dos conteúdos de uma primeira parte da história e de uma parte seguinte, além de pontuar acerca do que o elenco e a produção nos entregam.


Nos cinco dias que se passam no hospital, o espectador mergulha em momentos de tensão e angústia de uma experiência de situação de crise absolutamente bem apresentada: os ambientes do hospital, o cuidado em representar aspectos de iluminação, ventilação, sujeira e temperatura, a velocidade com que inúmeras e previsíveis intempéries se acumulam e agravam a crise e uma brilhante atuação por parte do elenco. Soma-se a esta experiência, as pinceladas que incluem a crítica ao governo de George W. Bush (43º presidente dos Estados Unidos) no enfrentamento geral da situação, incluindo o uso de cenas reais para retratar o contexto em que estavam várias outras pessoas nessas mesmas circunstâncias da inundação, adendos enriquecedores para enfatizar e escancarar o abandono, o desespero e a percepção de falta de sensibilidade das autoridades.



Desde esta primeira fase da minissérie, é possível também perceber que inúmeros contextos filosóficos e éticos são apresentados sem um aprofundamento que permita um julgamento imediato e certeiro sobre a atitude dos personagens. O elenco atua de uma forma brilhante, mas a produção propõe muitas falas para determinadas personagens com sentidos metafóricos e são, por vezes, repetitivas e confusas. Por se tratar se uma produção que se baseou em fatos reais, onde as cortes americanas lidaram com uma série de narrativas e argumentos contraditórios e delicados, talvez essa opção de propor um contexto político-social mais aberto e mais concentrado em falas soltas e de interpretação complexa, seja não apenas proposital, mas cuidadoso para não lidar com fatos históricos recentes de forma inapropriada ou irresponsável.


As investigações que ocorrem um bom tempo após os fatídicos cinco dias no hospital apresentam e contam com novos personagens, uma nova empreitada para trazer luz aos acontecimentos que levaram a tantas tragédias dentro daquele ambiente hospitalar. A minissérie traz inúmeras declarações e fatos, pistas e constatações em uma espiral de correlações éticas atribuídas às profissões daqueles que cuidaram de tantas pessoas naquele cenário retratado, de total falta de condições de promover o básico para garantir a sobrevivência daqueles em situações tão vulneráveis de saúde física e psicológica.



Cinco Dias no Hospital Memorial pode, efetiva e assustadoramente, transportar o espectador para uma barbárie instaurada no ambiente do hospital, evidenciar uma situação angustiante vivida por pessoas em posições muito diferentes dentro daquele contexto e apresentar inúmeros aspectos que confrontam peculiaridades éticas e humanas. Em contrapartida, o formato da minissérie, o ritmo acelerado e as nuances metafóricas podem ser atrapalhadas e, por vezes, sem lógica.


Elenco e Equipe Técnica


Atores: Vera Farmiga, Robert Pine, Cherry Jones, Julie Ann Emery, Cornelius Smith Jr, Adepero Oduye, Molly Hager, Michael Gaston e W. Earl Brown.

Escritores: Carlton Cuse e John Ridley.

Direção: Carlton Cuse, John Ridley e Wendey Stanzler.

Produtores Executivos: Carlton Cuse e John Ridley.


Trailer


Não encontramos o trailer em português no canal Apple TV+ Brasil. Confira o trailer oficial americano:


Avaliação


A avaliação pontua de 0 a 2 para cada critério e o somatório representa uma nota atribuída para a produção.

Série: Cinco Dias no Hospital Memorial (2022)

Nota/Pontuação

Elenco e Atuação

​1,5

Roteiro

1,2

Direção Técnica e Autoria

1,0

Cenário e Fotografia

2,0

Sonoplastia

1,6

Nota Final da Equipe News On Apple

7,3

Entenda como funcionam os critérios de notas da Equipe News On Apple.


Sobre o Apple TV+


O Apple TV+, o primeiro serviço de filmes e programas totalmente originais por assinatura da Apple, oferece vários filmes e séries premiados e inspiradores e esportes. Os assinantes podem assistir aos Apple TV+ Originals online, offline e sob demanda, no app Apple TV, que já vem instalado no iPhone, iPad, Apple TV, iPod touch e Mac. O conteúdo também está disponível em tv.apple.com/br. O app Apple TV também está disponível em smart TVs selecionadas, incluindo Samsung, LG, Panasonic, Sony, TCL, VIZIO e outras, aparelhos Amazon Fire TV e Roku, consoles de jogos PlayStation e Xbox, Chromecast com Google TV e decodificadores, incluindo Sky Q, SK Broadband e Comcast Xfinity. Para mais informações, visite apple.com/br/apple-tv-app.



25/10/2022 - 22h09

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