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  • Foto do escritorMarcelo Dada

Mentes fragmentadas: a odisseia psicológica de Entre Estranhos (The Crowded Room) - Review

Apple TV+ desafia as fronteiras da narrativa ao explorar os abismos da psique humana.

Cartaz da série Entre Estanhos

Sinopse


Em Entre Estranhos, Tom Holland (Homem-Aranha: Sem Volta pra Casa) dá vida a Danny Sullivan, um homem que se vê preso após um tiroteio em Nova York, em 1979. Através de uma série de entrevistas conduzidas pela intrigante interrogadora Rya Goodwin, interpretada por Amanda Seyfried (Os Miseráveis), a trama se desenrola, desvendando os enigmas do passado sombrio de Danny e os eventos cruciais que o conduziram a uma revelação impactante. Sob a produção do premiado Akiva Goldsman (O Código Da Vinci), esta minissérie de 10 episódios é uma colaboração entre Apple Studios e New Regency, prometendo suspense e profundas reflexões sobre a natureza humana.


Sobre a Série


Em um mundo saturado de produções televisivas, Entre Estranhos, ou The Crowded Room na versão americana, surge como um farol de originalidade e profundidade, iluminando as sombras mais escuras da psique humana. A série, inspirada na vida real de Billy Milligan e no livro "The Minds of Billy Milligan" de Daniel Keyes, é um mergulho audacioso nas águas turvas do Transtorno Dissociativo de Identidade (DID, na sigla em inglês).


Cena da série Entre Estanhos

Tom Holland, conhecido por sua jovialidade e carisma, aqui se despe dessas características para encarnar Danny Sullivan, um personagem que exige dele uma entrega total. Holland se esforça, deixando a zona de conforto de seus personagens mais conhecidos, ao mostrar uma versatilidade que poucos poderiam esperar do jovem ator. Ao seu lado, Amanda Seyfried, como Dra. Rya, oferece uma performance que é ao mesmo tempo sutil e poderosa, servindo como contraponto à intensidade de Holland.


A narrativa, embora baseada em eventos reais, não se limita a ser uma mera reprodução dos fatos. Há uma tapeçaria rica de emoções, conflitos e dilemas morais que são habilmente tecidos ao longo dos episódios. A série não tem medo de explorar os recantos mais sombrios da mente humana, e isso é evidente na forma como aborda o TDI. No entanto, essa abordagem audaciosa também é sua espada de dois gumes. Enquanto a história de Billy Milligan é, sem dúvida, fascinante, a série, em alguns momentos, tangencia o melodrama, correndo o risco de simplificar um tema tão complexo.


Cena da série Entre Estanhos

É importante ressaltar que o Transtorno Dissociativo de Identidade, até os dias atuais, é cercado de preconceito e desinformação. A produção aborda diversos aspectos da percepção da sociedade da época sobre essa condição. Contudo, alguns críticos sustentam que a série não retrata adequadamente a complexidade do TDI. Em vez de uma representação acurada, a série, em certos momentos, tende a uma dramatização confusa e ineficaz, ou até mesmo recorre à exposição de características do transtorno por meio de diálogos que pouco acrescentam em termos didáticos. Torna-se desafiador determinar se uma recepção mista, pautada em detalhes ou elevadas expectativas sobre a abordagem de condições de saúde mental, pode desestimular o espectador ou outros críticos a considerar a série relevante e primorosa, levando em conta a magnitude e a abrangência de outras nuances da produção.


A cinematografia é outro ponto que merece destaque. Cada cena é meticulosamente construída, capturando a essência dos anos 1970 e refletindo os tumultos internos do protagonista. Contudo, a densidade narrativa exigida pela trama pode levar o espectador a questionar se a estética visual não se torna, por vezes, uma distração. Esta característica, intrínseca às produções do Apple TV+, é, de fato, uma marca registrada que, surpreendentemente, enriquece o resultado final almejado. Em suma, o esmero na elaboração de cenas impecáveis e visualmente sofisticadas confere tons de realismo e proporciona uma imersão essencial para a apreciação integral da série, sem eclipsar a narrativa ou relegá-la a um plano secundário.


Cena da série Entre Estanhos

Ao adentrar o universo de Entre Estranhos, é impossível não se deixar envolver pela trama e pelos personagens. A série, em sua essência, é uma reflexão sobre a fragilidade da mente humana e sobre como a sociedade lida com aqueles que são considerados "diferentes". É uma crítica sutil, porém incisiva, ao sistema de justiça criminal e à forma como os transtornos mentais são percebidos e tratados.


Ao concluir nossa jornada por esse labirinto psicológico, somos deixados com mais perguntas do que respostas. E talvez essa seja a verdadeira genialidade de Entre Estranhos. Em vez de oferecer soluções fáceis e respostas prontas, a série nos convida a refletir, a questionar e, acima de tudo, a empatizar. É uma obra que, como um vinho fino, só melhora com o tempo, revelando novas camadas e nuances a cada revisita.


Cena da série Entre Estanhos

Em um mundo onde a originalidade é frequentemente sacrificada em prol do apelo comercial, Entre Estranhos é um lembrete de que ainda há espaço para narrativas profundas, desafiadoras e, acima de tudo, humanas. É uma série que não apenas entretém, mas também educa e provoca, desafiando-nos a olhar para dentro de nós mesmos e a confrontar nossos próprios preconceitos e medos.


Elenco e Equipe Técnica


Elenco: Tom Holland, Amanda Seyfried, Emmy Rossum, Sasha Lane, Will Chase, Lior Raz, Jason Isaacs, Christopher Abbott e Thomas Sadoski.

Direção: Kornél Mundruczó, Brady Corbet, Mona Fastvold e Alan Taylor.

Produção Executiva: Akiva Goldsman, Alexandra Milchan, Arnon Milchan, Yariv Milchan, Michael Schaefer e Suzanne Heathcote.


Trailer de Entre Estranhos


Confira o Trailer original, em inglês:



Avaliação


A avaliação pontua de 0 a 2 para cada critério e o somatório representa uma nota atribuída para a produção.

Série: Entre Estranhos (2023)

Nota/Pontuação

Elenco e Atuação

1,6

Roteiro

1,6

Direção Técnica a Autoria

1,8

Cenário e Fotografia

2,0

Sonoplastia

1,8

Nota Final da Equipe News On Apple

8,8


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26/8/2023 - 4h19

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