• Rafael de Angeli

Facebook lança campanha ‘Good ideias deserve to be found’ contra a privacidade do iOS

Vídeo assustador do Facebook dá início à campanha que tenta vender a ideia de que anúncios personalizados que violam a privacidade são excelentes.


Estamos diante de mais um capítulo da saga Facebook vs Apple, onde Mark Zuckerberg parece ter a certeza de que 100% das pessoas ao redor do mundo querem “se vender” gratuitamente às suas redes sociais.


O Facebook lançou uma nova campanha para dizer ao mundo que as pequenas empresas que operam em suas plataformas sociais dependem fortemente da publicidade personalizada. A nova campanha do tio Mack inclui um vídeo, intitulado “Boas Ideias Merecem Ser Encontradas”, apresentando a marca de moda House of Takura, de Houston, nos Estados Unidos. A empresa omite o fato de que a publicidade direcionada disponível em suas plataformas é resultado de violações maciças de privacidade. O Facebook está se opondo veementemente à iniciativa de Transparência de Rastreamento de Aplicativos da Apple que exigirá que aplicativos do iOS e iPadOS peçam permissão do usuário para rastreá-lo.


A novidade seria lançada em setembro de 2020, junto ao iOS 14, mas graças ao Facebook, a Apple foi "obrigada" a adiar seus planos. O iOS 14.5, que já está em fase de testes, deve ser lançado em março para todos os usuários, já com a nova tecnologia.


Milhões de dólares envolvidos


A Reuters cita uma fonte familiarizada com o assunto que alega que os gastos com anúncios por trás da campanha “são de milhões de dólares”, sugerindo uma disposição para intensificar sua luta contra a Apple.


A empresa lançará um adesivo no Instagram e a hashtag do Facebook “DeserveToBeFound” para permitir que pequenas empresas compartilhem e divulguem suas ofertas nas plataformas. “Ele também simplificará seu Gerenciador de Anúncios, uma ferramenta de autoatendimento que permite que as marcas comprem e criem anúncios, para facilitar o uso de pequenas empresas”, diz a notícia.


À frente da iniciativa de transparência de rastreamento de aplicativos da Apple, o Facebook começou a testar seu próprio prompt para fazer com que os usuários optassem por serem rastreados. O processo antitruste do Facebook contra a Apple também pode atingir o iMessage, o serviço de mensagens mais usado nos EUA.


Os fortes comentários do CEO da Apple, Tim Cook, sobre a indústria de publicidade e a privacidade do usuário, deixaram muitos no Facebook com a sensação de que a gigante de Cupertino os estava perseguindo injustamente. Assim como Mark Zuckerberg disse em 2018, o Facebook quer “infligir dor” à Apple, disse o site iDownloadBlog.


Facebook prepara processo legal contra a Apple


As recentes iniciativas de aumento da privacidade da Apple em torno do rastreamento do usuário, além de Tim Cook chamar a privacidade de uma das preocupações mais urgentes do mundo, têm incomodado o presidente-executivo do Facebook. No iOS 14.5, a iniciativa de transparência de rastreamento de aplicativos em breve exigirá a permissão do usuário antes que os aplicativos possam rastreá-lo.



Depois de dizer aos quatro cantos que a "App Store bloqueia inovação e concorrência", o Facebook agora incumbiu seus advogados de prepararem um processo legal antitruste contra a Maçã sobre o recurso que está por vir.


Uma porta-voz do Facebook, Dani Lever, disse que a escolha entre serviços personalizados e privacidade era uma "falsa compensação" e que o Facebook oferece os dois. “Não se trata de duas empresas. Trata-se do futuro da Internet gratuita", disse ela, afirmando que pequenas empresas, desenvolvedores de aplicativos e consumidores perdem com as novas regras da Apple.


"A Apple afirma que isso tem a ver com privacidade, mas tem a ver com lucro, e estamos nos juntando a outras pessoas para apontar seu comportamento anticompetitivo e de auto-preferência".

Embora os possíveis acordos regulatórios e decisões legais possam afetar os usuários de smartphones nos próximos anos, acreditamos que o Facebook não terá chance em qualquer reclamação legal contra a Apple que gire em torno da privacidade. Como vivemos em uma democracia, fica ao usuário o direito de escolher ou não ser rastreado.



Fontes: iDownloadBlog e Reuters

26/02/2021 - 1h01