• Fernando Cunha JR

Windows 11 rodando Android, finalmente um concorrente de peso aos Macs e à App Store?

A empresa presidida por Satya Nadella fecha parceria por aplicativos com a Amazon. Apple e Microsoft, uma briga de gigantes!


A data de 24 de junho de 2021 ficará marcada no mundo da tecnologia, pois a Microsoft fez o anúncio de seu mais novo sistema operacional, o esperado Windows 11.


Bom, até aí, sem novidade alguma, mas conforme a apresentação da empresa de Redmond se desenrolava, veio a notícia acachapante: o Windows 11 rodará, nativamente, apps Android.


Jogada de mestre, como há muito tempo não se via pelos lados de Washington.


Aparentemente, todo o ecossistema da Apple, com toda a integração de seus aplicativos e seus devices, terá um competidor de peso.


Junto a isso, temos que lembrar que a Microsoft também bateu a marca de US$ 2 trilhões de valor de mercado, muito por conta de sua plataforma Azure, com foco em computação em nuvem, e que a empresa detém mais de 70% do market share global de sistemas operacionais, enquanto a Apple detém apenas 15% do total.


Market share de sistemas operacionais
Imagem: Reprodução/Statista

Embora o anúncio possa ter abalado o mercado, o Windows não terá acesso irrestrito à loja de apps do Android, a Play Store, mas, sim, acesso a todos os apps que estão publicados na Amazon Store e serão acessados através da Microsoft Store. A parceria com a Amazon, e não diretamente com o Google, também foi um golpe certeiro, pois o Google é concorrente direto da Microsoft, já a Amazon não.


Apesar de o catálogo da Microsoft passar a se somar ao catálogo da Amazon Store, ainda ficará bem abaixo da oferta do catálogo da Apple:


Número de apps por plataforma:

  • Amazon: 460 mil apps;

  • Apple: 2,22 milhões de apps;

  • Android: 3,48 milhões de apps;

  • Windows: em torno de 800 mil apps.


Com pouco mais de 1,2 milhão de apps disponíveis, a parceria se transformou na terceira maior app store dentre todas as plataformas. Um número bastante significativo!


Outro fator a ser considerado é se a Microsoft expandirá sua Windows Store para seus consoles XBox, que não ficou muito claro, porém não me surpreenderia caso isso de fato acontecesse. E seria uma movimentação de extrema inteligência, diga-se de passagem.


Essa oferta de apps só é possível pela tecnologia de virtualização da Intel, chamada Intel Bridge, que é basicamente um compilador em tempo de execução, que faz a "tradução" de códigos de aplicações Android para instruções x86, que passam a ser "entendíveis" e executadas pelos processadores que rodam o Windows 11 (que não são baseados em arquitetura ARM).


E, a partir dessa tecnologia, cria-se um problema para a Microsoft, pois sempre que existe mais uma camada de software, a tendência é de que a performance computacional seja afetada. Problema esse que a Apple não tem! Com toda sua linha de produtos utilizando o chip M1, a "tradução em tempo real" não se faz necessária, tornando não só a confecção de aplicações, mas principalmente a sua execução, uma tarefa nativa e muito mais performática, transformando o catálogo da App Store disponível para todos os devices da empresa da maçã.


Enfim, vejo essa mudança de paradigma da Microsoft com muitos bons olhos, pois finalmente o cenário aparenta trazer um competidor realmente importante à Apple.


Talvez agora os usuários de Windows possam ter uma experiência de uso semelhante aos usuários do ecossistema Apple, que dispensa comentários.



13/07/2021 - 10h