• Rafael de Angeli

Apple Store em Maryland faz história ao se sindicalizar nos EUA com apoio de Joe Biden

Funcionários da Apple Store em Maryland fizeram história ao votar pela sindicalização, tornando-se o primeiro local de varejo da empresa a fazê-lo, nos EUA, após esforços da Maçã para acalmar estes esforços.

Apple Towson Town Center / Imagem/Reprodução: Apple

O presidente dos EUA, Joe Biden, disse, na manhã desta segunda-feira (20), que estava "orgulhoso" dos funcionários da Apple em Maryland que votaram pela sindicalização no fim de semana, de acordo com a Reuters. Embora outros locais de varejo da Apple tenham discutido a sindicalização, os funcionários de Maryland são os primeiros trabalhadores de varejo da Apple a se sindicalizar nos Estados Unidos.


"Os trabalhadores têm o direito de determinar em que condições vão trabalhar ou não", disse Biden a repórteres. Ele continuou dizendo que "todos estão em melhor situação, inclusive o produto final é sempre melhor", em referência à sindicalização.

Mais de 100 funcionários da Apple Store Towson Town Center, da cidade de Towson, no estado de Maryland, participaram de uma votação de sindicalização, que ocorreu da última quarta-feira (15) ao último sábado (18). 65 funcionários votaram pela adesão ao Sindicato dos Maquinistas, enquanto 33 votaram contra a adesão. O Conselho Nacional de Relações Trabalhistas precisará verificar os votos, um processo que pode levar cerca de uma semana. Logo após, a Apple deve iniciar as negociações com o sindicato.


Os funcionários da ‌Apple Store‌ de Maryland estão buscando melhores salários e condições de trabalho. "A decisão de formar um sindicato é sobre nós, trabalhadores, ganhando acesso a direitos que não temos atualmente", disseram os organizadores de Towson em uma carta ao CEO da Apple, Tim Cook. Eles decidiram ser representados pela Apple Coalition of Organized Retail Employees (Coalizão de Empregados do Varejo Organizados da Apple), que farão parte da International Association of Machinists and Aerospace Workers (Associação Internacional de Maquinistas e Trabalhadores Aeroespaciais).


A Apple se opôs aos esforços de sindicalização, mas o voto da loja de Maryland pode encorajar outras Apple Stores que já estão discutindo a sindicalização. Em maio, a vice-presidente sênior de varejo + pessoas da Apple, Deirdre O'Brien, pretendia frustrar os esforços de sindicalização dos funcionários por meio de um vídeo enviado às lojas.


O CEO da Apple, Tim Cook (no centro, à direita), e a vice-presidente sênior de varejo + pessoas, Deirdre O'Brien (no centro, à esquerda), na inauguração da Apple The Grove, em Los Angeles, nos EUA.

O'Brien disse que um sindicato tornaria mais difícil para a Apple implementar "mudanças imediatas e generalizadas" e que poderia "tornar mais difícil para [a Apple] agir rapidamente para resolver as coisas" que os funcionários trazem.


Deirdre O'Brien disse que os funcionários têm "direito de se filiar a um sindicato", mas acrescentou que também é direito dos funcionários "não se filiar a um sindicato".


O CEO da Apple, Tim Cook (no centro, à direita), e a vice-presidente sênior de varejo + pessoas, Deirdre O'Brien (no centro, à esquerda), na inauguração da Apple Tower Theatre, no centro de Los Angeles, nos EUA.

"Temos um relacionamento baseado em um engajamento aberto, colaborativo e direto, que acredito que pode mudar fundamentalmente se uma loja for representada por um sindicato sob um acordo coletivo de trabalho", disse O'Brien.

Em meio aos esforços de sindicalização, a Apple disse que melhoraria as condições de trabalho dos funcionários do varejo e que planeja garantir que haja pelo menos 12 horas entre cada turno que um funcionário deve assumir, acima do mínimo atual de 10 horas. Os funcionários não terão que trabalhar depois das 20 horas por mais de três dias por semana, a menos que optem por turnos tardios, e não serão mais programados para trabalhar mais de cinco dias seguidos, exceto durante feriados e grandes lançamentos de produtos.


The Mall at Bay Plaza, a primeira loja da Apple no Bronx, em Nova York, nos EUA.

Em fevereiro, a Apple também aumentou o número de licenças médicas pagas disponíveis, começou a oferecer mais dias de férias e aumentou o tempo de licença parental. As Apple Stores no estado de Washington e nas cidades de Nova York e Atlanta também tomaram medidas em direção à sindicalização, com funcionários pedindo salários mais altos, melhores opções de aposentadoria e mais férias.



Fontes: CNBC, Reuters, The New York Times e MacRumors

21/6/2022 - 17h44