• Pedro Celli

Como ter performance superior ao do Mac Pro de R$ 55 mil gastando R$ 10 mil?

Comparando a performance de um Hackintosh com o novo Mac Pro


Eu gosto muito da linha de computadores "realmente" profissionais da Apple, tanto é que tenho um bom e velho guerreiro Mac Pro de 2012, o primeiro "ralador de queijo". E mesmo nos dias atuais, ele não faz feio, pois é uma workstation modular, e conseguimos dar uma boa turbinada nele.

Quando a Apple lançou, em 2013, o seu novo Mac Pro estilo "lixeira", apesar de ter um design lindo, achei pouco funcional para quem trabalha com vídeo, pois não era nada modular e muito difícil de atualizar, ficando limitado a periféricos caríssimos. Mas, 6 anos depois, a Apple ouviu a opinião e o desejo do mercado, e trouxe de volta a versão 2.0 do seu "ralador de queijo". Junto com toda sua expansibilidade, um preço astronômico. Com base nisto, tive a ideia de montar um hackintosh (um computador feito com peças normais, que você encontra no mercado, mas que roda o macOS), para saber quanto eu gastaria para ter um computador com processamento similar ao Mac Pro de entrada da Apple, que custa R$ 55.439,10 à vista aqui no Brasil. Coloquei o valor à vista, já que comprei todas as peças à vista também, assim o comparativo fica o mais justo possível.


Dito isto, vamos ao hardware que eu escolhi para montar o meu Mac Pro genérico.


A placa mãe é o alicerce, e todos hackintoshs que eu já montei até hoje, usei as placas da Gigabyte, que possuem uma excelente qualidade de construção. Eu escolhi a Z390 Aorus Pro porque ela tem dissipadores, aceita 2 NVMe PCIe M.2 super rápidos e 4 pentes de memória em canal duplo.


O processador, como queria comparar ao Intel Xeon W de 8 núcleos e 3,5 GHz que equipa o Mac Pro, eu escolhi o Intel i9, de 9ª geração, 9900K de 8 núcleos e 3.60 GHz. Você pode montar também com processadores Ryzen, da AMD, mas o processo é mais complicado. Junto com o processador, coloquei um WaterCooler da Corsair para manter a "cabeça fria".


Na parte de memórias, escolhi as NON-ECC DDR 4 da HyperX (uma divisão da Kingston), dois pentes de 16 GB cada, com velocidade de 3.200 Mhz (modelo HX432C16PB3/16). O Mac Pro de entrada usa memória ECC* DDR4 de 2.666 Mhz. Coloquei 2 de 16, pois assim ficam ainda 2 slots livres para fazer uma upgrade futura para 64 Gb.


*ECC significa: Error Correction Code ou Código de Correção de Erros, um opcional da memória que permite a recuperação de dados que se corrompem. Para isso, para cada dado armazenado, ela armazena um dado de controle extra, que torna esta recuperação possível. Geralmente estas memórias são mais caras e usadas em servidores.


Agora vamos escolher a placa de vídeo. É aqui que o bicho, ou o bolso, pega, pois temos placas de vários tipos e marcas, mas elas são sempre com tecnologia da NVIDIA ou da AMD. Os gamers preferem as placas gráficas na NVIDIA. Inclusive no meu Mac Pro de 2012, eu usava uma NVIDIA GeForce 1070 Ti, que era muito boa. Mas tudo começou a mudar na WWDC de 2015, quando Craig Federighi subiu ao palco da conferência para revelar todas as novidades do macOS El Capitan. Uma das mais interessantes era a incorporação da API Metal, que permitia reduzir a sobrecarga sobre o hardware, permitindo executar não apenas jogos, mas qualquer aplicação 3D com melhor desempenho. Com o Metal, houve um ganho de até 40% em cima do OpenGL. A novidade não trabalhava apenas no ganho da GPU, mas com melhorias na API OpenCL. Também havia uma redução de sobrecarga com a CPU do sistema, permitindo que muito mais pudesse ser feito sem aumentar o consumo ou atrapalhar os serviços que rodavam em segundo plano.


Oficialmente o MacBook Pro Retina de 15 polegadas, de meados de 2014, foi o último computador da Apple a vir de fábrica com placas da NVIDIA. Ele tinha uma GeForce GT 750M. Uma nova parceria exclusiva com a AMD e a nova API Metal tinha iniciado e, a partir do macOS Mojave, somente placas da AMD com suporte ao METAL iriam funcionar nos Macs.

Depois de um pouco de história, voltamos à minha realidade. Eu troquei a placa GeForce 1070 Ti 8 GB por uma AMD Radeon VEGA 56 8 GB, para poder instalar o Mojave no Mac Pro de 2012 com seus 12 núcleos de 3,33 Ghz e 32 GB de RAM DDR3 de 1.333 Mhz. Aliás, do Mac Pro de 2012 (5,1), restava muito pouco, ele já tinha sido turbinado com um placa PCIE NVME M.2 e 4 portas USB 3.0. Inclusive, é ele que estou usando para escrever este artigo. E, como curiosidade, vou colocar também um benchmark dele no final do artigo. Em resumo, peguei a VEGA 56 para colocar no Hackintosh e o meu Mac Pro hoje tem uma AMD Radeon RX 590 também de 8 GB. Apenas lembrando: o Mac Pro de 2019, o qual é motivo desta comparação, vem com uma AMD Radeon Pro 580X de 8 GB, no modelo de entrada.


No armazenamento, uma coisa que faz muita diferença, nos tempos atuais, são os SSDs PCIE NVME M.2, que conseguem velocidades estúpidas! E o novo Mac Pro da Apple, modelo de entrada, vem com apenas 256 GB de armazenamento!? Ou seja, você paga, para a Apple, 55K reais, e recebe 256 GB de armazenamento! Mas fique tranquilo que você pode configurá-lo até 8 TB (2 módulos 4TB), pagando apenas R$ 26.000,00 a mais! No meu Hackintosh, coloquei um SSD NVME M.2 da Corsair MP 510 de 1 Tb, particionado em 300 Gb para sistema e aplicativos, e 700 Gb como memória cache para os aplicativos de edição que eu uso. E coloquei um segundo SSD NVME M.2 da Samsung EVO 970, também de 1 TB, para quando eu for editar arquivos 4K em RAW. Fora isto, ele tem mais 6 TB de HD Sata 3 (2 x 3 Tb), em RAID 0, para arquivos de vídeos e dados.


Abaixo, coloquei um comparativo de velocidades feito pelo Disk Speed Test, entre o SSD NVME M.2 e o HD SATA 3 ligado em RAID de desempenho de velocidade.

Por fim, e não menos importante, uma boa fonte de alimentação da Corsair de 850 Watts 80 plus gold, para garantir força de sobra para futuros upgrades. O Mac Pro de entrada vem com uma fonte de 1.400 Watts.


Tudo isto foi montado em um gabinete da PCYES, modelo Jaguar V2, pois eu queira algo bem discreto e sóbrio, sem leds piscando, que tanto os gamers gostam. O que eu gostei nele é que possui um preço muito bom, bem silencioso e possui filtros contra poeira.


Depois de tudo devidamente montando e funcionando perfeitamente com o macOS Catalina, vamos aos benchmarks comparativos e ver como esta nossa máquina se compara ao Mac Pro de entrada.


Ah, esqueci de falar de valores. Tudo, em dezembro de 2019, ficou em R$ 10.350,00 (computando o preço já de uma nova AMD Vega 56, porque eu usei a que eu tinha). Uma economia de R$ 45.089,00 em um computador com muito mais capacidade de armazenamento. No total, 8 TB (2 TB SSD NMVE M.2 + 6 TB HD SATA RAID) contra 256 GB de NMVE M.2. Ou seja, no Mac Pro você ainda vai ter que gastar mais para deixá-lo com armazenamento suficiente para poder editar seus vídeos.


Algo que esqueci de mencionar é que quando se faz um Hackintosh, você cria um EFI Boot (tipo uma BIOS), que "engana" o macOS, e faz ele pensar que o computador realmente é da Apple. Uma da coisas que temos que fazer é informar qual seria o computador. No meu caso, eu coloquei como se fosse um iMac Pro 1,1, que possui basicamente as mesmas características técnicas do computador que eu montei.


Dito isto, vamos ver o desempenho da CPU. No Geekbench 5, o resultado foi de 1.248 pontos para o single core (um núcleo) e 8.982 pontos para o multi core (usando os 8 núcleos). Comparando com os computadores da Apple que o Geekbench tem na sua base de dados, chegamos na seguinte conclusão:


Com 1.248 pontos, ele esteve no topo da lista de desempenho, obtendo um empate técnico com o iMac Retina de 27" do início de 2018, e tendo performance 17% maior que o Mac Pro de entrada de 2019.


Agora vamos aos resultados em multi core, com o poder máximo de fogo de todos os núcleos. O nosso Hackintosh conseguiu marcar 8.982 pontos e o primeiro no topo da lista do Geekbench é o Mac Pro de 28 núcleos e seus 19.175 pontos. Vale lembrar que este computador custa R$ 118.439,10 aqui no Brasil.

Com os nossos 8.982 pontos, ficamos entre o iMac Pro do final de 2017, com seus 10 núcleos, e o iMac Retina do início de 2019, que usa o mesmo processador da máquina que montei. Mas, comparando com o Mac Pro de entrada, temos uma performance 10% superior.


Em resumo, no teste de CPU conseguimos uma performance média 13,5% superior. Agora vamos para os testes de GPU.

Com o Geekbench GPU conseguimos 54.128 pontos contra os 41.826 da AMD Radeon 580X que equipa o Mac Pro de entrada, o que dá uma performance superior de 22%. Por curiosidade, a melhor placa de vídeo para Mac é a AMD Radeon Pro Vega II, com seus 97.244 pontos, e que custa R$ 25.200,00 à vista no site da Apple!

Feito estes comparativos com o Mac Pro da Apple, vimos que dá para montar um computador com uma performance melhor, por um valor 4,35 vezes menor. Ou seja, daria para montar 4 computadores com o preço de um Mac Pro de entrada. Claro que aqui estou comparando somente desempenho, não estou levando em consideração que a workstation da Apple tem gabinete personalizado, o tipo de montagem clean e com processador Xeon e a possiblidade de colocar uma placa Afterburner futuramente, para acelerar os codecs ProRes e ProRes RAW, por simbólicos R$ 20.000!


Para quem quiser saber mais sobre Hackintosh, compatibilidades com placas mãe, de vídeo, processadores etc... Pode consultar o site Tonymacx86, que é uma excelente fonte de informações.

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