• Rafael de Angeli

WSJ: bancos estão 'irritados' com o Apple Pay e Visa planeja cortar taxas

A relação entre a Apple e os bancos americanos está começando a mostrar tensão, de acordo com o The Wall Street Journal.


A notícia, citando "pessoas familiarizadas com o assunto", diz que bancos como JPMorgan Chase, Capital One e Bank of America "ficaram insatisfeitos com os custos" associados às transações do Apple Pay, especialmente depois que a Apple lançou seu próprio Apple Card em 2019.


A notícia também revela o boato de que a Apple concordou em não desenvolver uma rede de processamento de cartão para competir com a Mastercard e a com Visa como parte de seu esforço inicial para a adoção do Apple Pay.


Da forma como está hoje, os bancos pagam à Apple uma taxa sempre que os titulares usam seus cartões para uma transação usando o Apple Pay - essencialmente uma parte das taxas de intercâmbio existentes. O valor varia ao redor do mundo e até mesmo pelo emissor do cartão, mas nos Estados Unidos acredita-se que seja em torno de 0,15% de uma transação com cartão de crédito e US$ 0,5 para cada transação pelo débito.


O WSJ relata que os bancos estão agora lutando contra essas taxas, pedindo à rede de cartões Visa para "mudar a forma como processa certas transações do Apple Pay". A mudança que os bancos estão pedindo reduziria as taxas que são pagas à Apple.


A Visa supostamente concordou em implementar a mudança no próximo ano, mas a Apple e a Visa estão "em discussões" e é possível que as alterações sejam abandonadas. Os executivos da Maçã disseram à Visa que se opõe às mudanças, que se aplicariam especificamente a pagamentos automatizados recorrentes. Se elas forem implementadas conforme descrito atualmente, isso significaria que a gigante de Cupertino não receberia taxas sobre quaisquer transações recorrentes, como serviços de streaming e associações a academias, processadas com o Apple Pay após o primeiro pagamento.


"Quando os consumidores carregam seu cartão de crédito no Apple Pay, a Visa emite um token especial que substitui o número do cartão. Isso permite que o cartão funcione no Apple Pay e também ajuda a mantê-lo seguro em uma possível violação de dados, entre outros benefícios". "A Visa planeja começar a usar um token diferente em pagamentos automatizados recorrentes. Isso significa que, efetivamente, após o primeiro pagamento de uma assinatura, a Apple não receberá taxas nas transações a seguir".

Há também alguns detalhes de outras dinâmicas interessantes das relações entre a Apple, a Visa e a Mastercard, incluindo que a Maçã concordou em não desenvolver sua própria rede de cartões para competir com as duas. Apenas como explicação, o Apple Card é um cartão gerado pela Mastercard.


"Visa e Mastercard também concordaram em dar à Apple uma concessão incomum, de acordo com pessoas familiarizadas com o assunto: a Apple poderia escolher quais emissores permitiria no Apple Pay e quais cartões desses emissores aceitaria. Visa e Mastercard geralmente exigem que as entidades que aceitam seus cartões de crédito aceitem todos eles. A Apple concordou em não desenvolver uma rede de cartões para competir com Visa e Mastercard, disseram as pessoas".

Bancos e redes de cartões, no entanto, têm ficado desapontados com a adoção do Apple Pay desde seu lançamento em 2014. Alguns executivos de bancos também ficaram "irritados" quando a Apple se uniu ao Goldman Sachs para lançar o Apple Card há dois anos.



Em um comunicado, a Apple diz que trabalha "com quase 9.000 parceiros bancários para oferecer o Apple Pay a clientes em quase 60 países e regiões". Ela também divulgou que seus "parceiros bancários continuam a ver os benefícios de fornecer o Apple Pay e investem em novas maneiras de implementar e promover o Apple Pay para seus clientes para compras seguras e privadas na loja e online".



Fonte: MacRumors

8/10/2021 - 1h01