• Pedro Celli

OpenCore Computer lança Hackintosh 'pronto para uso'. Será que a Apple contra-atacará?

Seguindo os passos da Psystar, uma nova empresa conhecida como "OpenCore Computer" lançou, nesta semana, um computador desktop chamado Velociraptor que seria um hackintosh pronto para uso.


Hackintoshes são sistemas de computador que executam o macOS em um hardware não aprovado pela Apple. O problema é que este computador é uma violação do acordo de licença de usuário final da Apple (EULA) para macOS.



Em seu site, a OpenCore afirma que espera tornar as estações de trabalho, no estilo Mac Pro, mais acessíveis. A linha corporativa de sistemas de computadores, denominada "Hackintoshes de compromisso zero", é comercializada com o macOS Catalina e o Windows 10 Professional pré-instalados. O modelo mais acessível é o "Velociraptor", que pode ser configurado com uma CPU de até 16 núcleos, 64 GB de RAM e uma GPU Vega VII, custando US$ 2.199,00.


A OpenCore pretende lançar outros modelos, com opções que permitem até uma CPU de 64 núcleos e 256 GB de RAM. A empresa apresenta um software de código aberto (open source) usado para organizar um sistema para inicializar o macOS (conhecido como UEFI).

Nossos computadores funcionam de maneira idêntica a um Mac.

As máquinas Hackintoshes ignoram as proteções contra cópias que a Apple utiliza para impedir que o macOS seja clonado, fazendo que o sistema rode de forma não autorizada. A agora extinta Psystar Company comprou os chamados "sistemas de computadores abertos" a partir de 2008, com a opção de ter o Mac OS X Leopard (versão 10.5) pré-instalado. O EULA da Apple proíbe instalações de terceiros de seu programa de software, e qualquer clone de Mac para negócios é uma violação desse acordo, além da DMCA (Digital Millennium Copyright Act).


A Apple processou a Psystar em 2009, recebeu uma liminar eterna para a empresa e o Supremo Tribunal dos EUA se recusou a avaliar o caso em 2012. Dada essa antecedência, é impressionante o fato de a OpenCore ter escolhido comercializar Hackintoshes. Parece que ela está tentando atravessar o EULA aceitando fundos somente em criptomoeda Bitcoin. Em uma tentativa de mostrar que a empresa simplesmente não é uma fraude, ela apresenta o uso de garantia por meio de "Bitrated", que pretende fornecer medidas de segurança e prevenção de fraudes ao cliente para transações de criptomoeda. Muito parecido com o ceticismo da Psystar em 2008, quando lançou seu clone do Mac, a legitimidade do OpenCore não é clara.

Vale lembrar também que durante a reserva de mercado aqui no Brasil, tivemos uma empresa brasileira que foi a primeira do mundo a clonar um Macintosh e lançar o seu Mac 512 (com o processador Motorola 68000 de 8,00 MHz e resolução gráfica de 512 x 342 pixels), totalmente tupiniquim. A máquina era uma cópia quase exata de um Macintosh com 512 KB de RAM, lançado em setembro de 1984 pela Apple. O seu desenvolvimento (engenharia reversa) começou em 1985, ou seja, apenas um ano depois do lançamento do Mac original. Jamais chegou a entrar em produção comercial por ingerências da Apple Computer e do Governo Americano, que se queixaram de violação de direitos autorais junto ao governo brasileiro.


Abaixo, na matéria da Revista MicroSistemas, número 69, de junho de 1987, o Mac brasileiro seria vendido por 700 OTN, o que daria, na moeda de hoje, algo em torno de R$ 11.900,00. Ou seja, o preço está bem próximo dos Macs vendidos no Brasil pela Apple.

Vamos esperar para ver o contra ataque da Apple perante a OpenCore Computer.


Leia também:

- Como ter performance superior ao do Mac Pro de R$ 55 mil gastando R$ 10 mil?


14/06/2020 - 17h58

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